sábado, 22 de janeiro de 2011

Caranguejo

Tum, pow, chomp
Faz o som do caranguejo.
Morto cruelmente na panela, e que ainda apanha pra ser comido, símbolo da culinária litorânea do mundo inteiro.

É normalmente associado à cervejinha tinindo de gelada, distribuída com graça e satisfação pelo cartel multinacional da Ambev.

Os dois produtos são consumidos geralmente nas tarde de domingo, quando nos lares brasileiros e rodas de buteco impera o futebol, paixão nacional!

Nosso futebol bilhonário, regado de escandalos e casos policiais, que no fundo são frutos de um amadurecimento precoce dos jovens talentos nascidos nas favelas em lares mal estruturados.

Caranguejo, cerveja e futebol são a composição do cenário do verão nacional, vivido e eternizado nas curvas das morenas saradas e meninos musculosos que se exibem nas praias do culto ao corpo e extermínio do cérebro.

Na Praia

Nem muita nem pouca gente na areia branca e as ondas baixas fazendo a ondulação. Lembro de quando ainda pequena meu pai me trazia para Manguinhos, pros churrascos da confraria. Na Brasília vermelha eu e meu irmão apostavamos se ele conseguiria fazer 100 km/h na reta da ES-010. Cresci assim: sem cinto de segurança, em alta velocidade.

Ah, e na praia tinha picolé mini-saia, churrasquinho, água de coco...

De volta em casa, brincar na chuva, jogar video game olhando a tela bem de perto, e, inevitavelmente uma briga, que invariavelmente acabava com os dois apanhando feio.

Tenho saudades de um tempo que meu filho nunca viverá, pois nossas leis paternalistas tiraram a levidade dos finais de semana, a autoridade educacional da família e o poder de decisão do cidadão

Mesmo que meu filho não leve umas boas palmadas, posso ser acusada pela sociedade de maus tratos se deixa-lo brincar na chuva. Faz mal! Dizia minha avó. É vovó, nossos juristas entenderam que a senhora estava certa!

Nada de velocidade com alcool, cinto de segurança até pros cachorros, na praia, só quem for credenciado pela vigilância sanitária, vídeo game deve ter tempo limitado, e a uma distância segura da televisão

Não é uma crítica, é um alívio. Com menos bactérias nos organismos, ou motoristas bebados, ou crianças soltas nos bancos traseiros, será cada vez menos necessário médicos e hospitais. Com tantas leis para evitar o conflito entre as pessoas estaremos em pouco tornando obsoletos juízes, advogados e policias. Acredito que o objetivo seja o desenvolvimento de um ambiente seguro e sadio.

E, espero que no futuro tenhamos mais espaço para a música, poesia e educação.

Só não entendo quem está fiscalizando, se até os "gatos" na eletricidade passam batido.

Em tempo, sugiro a lei do sorvete quente, para evitar a gripe!

E, cuidado, você pode estar sendo multado, agora! No nosso atual mundo brega qualquer distração mata!