sábado, 26 de junho de 2010

Falarei mal, mas falarei

Este hábito terrestre se espalhou de tal forma que deixou o âmbito da fofoca e virou quase que uma ocupação.

Em blogs, redes sociais e sites com espaço para a interatividade, alguéns (e alguns) passam horas pensando em como fazer um comentário ácido, crítico e bombástico para poder fazer parte do mini mundo dos ácidos, críticos e bombásticos.

Alguns chamam isso da cultura do ódio... Chamo de hipocrisia, de falta de informação, de cegueira motivada pela inveja...

Vejo diariamente em sites de notícias sobre o setor de Comunicação - como o www.comuniquese.com.br - esta regra se aprimorar.

Lá em baixo, logo após as notícias, temos um 'estapeamento', de internautas/leitores. Eles batem sem pensar, simplesmente porque batendo alimentam seus próprios espíritos narcisistas e felizes dizem: eu sou inteligente porque eu disse alguma coisa!

Outro dia li os comentários postados numa matéria do Comunique-se sobre uma capa da Veja. O site (em um momento de capacidade de abstração invejável) teve a intenção de mostrar algo positivo: o fato da agência de comunicação ter conseguido, em apenas três meses, planejar a campanha de mídia e começar a executá-la, tendo saído vitóriosa já nas primeiras ações: emplacar a capa de Veja para o cliente (capa, matéria, fontes, fotos...!).

É inquestionável a competência da Agência, que estava com o trabalho focado na tiragem e vendagem da revista.

Assim, é inútil postar comentário apenas para rechaçar a revista (o lugar e o momento deveria ser outro). Julgar a escolha da revista não faz caldo para a discussão, porque, o que importa para quem quer vender é a abrangência da propaganda.

O.R. : sim, o mundo é movido a dinheiro... e não, ideologia não enche barriga.

A matéria em questão é uma viagem com o título: "Um milionário mora ao lado - surge no Brasil um milinário a cada 6 minutos".

Explosões me embaraçam

Foi num lindo dia de sol, quando tudo ia bem que um fulano o fechou no trânsito, chefe o xingou e ele teve que passar 3 horas na fila do estacionamento do shopping e mais 3 horas pra achar uma loja que vendia o que ele queria e então, quando nada mais faltava, foi esfarpeado pelo vendedor! O ser humano normal deixa a cena e entra então um ser que lhe domina! O ódio impera e permite (não a carteirada porque está fora de moda) mas o olhar superior de alguém que é bem melhor que aquele vendedorzinho!

A cena era trágica, um senhor, vermelho de raiva, brigava com o vendedor da loja, e o filho adolescente, vermelho de vergonha, quase se escondia atrás da estante de produtos. O vendedor muito calmo, pedia desculpas... Mas a cena já estava armada: "Chama o gerente, quero falar com alguém que manda porque você não resolve nada"!

Eu sei, tem que pedir respeito e brigar pelos direitos. Mas agir insanamente não resolve nada.

Eu sei, já fiz isso algumas vezes, me enfezei, gritei e briguei com todo mundo. Mas já aprendi que nenhuma recompensa e nenhuma vitória supera a vergonha angustiosa que fica no peito depois... Uma vontade terrível de ir lá pedir desculpas!

Fiquei com pena do senhor, porque achei que ele podia sentir isso mais tarde...

Continuei meu passeio pelo shopping pensando nisso e em como nunca mais eu gostaria de interpretar o papel daquele senhor!

Horas depois dei de frente com ele saindo de uma loja, olhei, e sorri, com um olhar angustiado de quem entende a dor do outro,na esperança de que ele também entendesse que eu me compadecia da dor que ele estava sentindo naquele momento, depois da vitória sobre o vendedor... Ele fechou a cara e foi se embora....
Tsc, tsc, tsc... Tem gente que só aprende bem devagar pensei...

A vitória dele custou: a vergonha do filho e a demissão do vendedor... Se isso não basta para ter remorso, então eu não sei de mais nada.

domingo, 2 de maio de 2010

Hábitos Terrestres

Entre descobrir novas tecnologias para desvendar o espaço e aprimorar as formas de dominação sobre seus semelhantes os terráqueos sempre encontram meios e tempo para incluir distrações e frivolidades no seu dia a dia.

Um dos hábitos mais interessantes que tenho tentado acompanhar e entender é o de ir à praia. Este ambiente inóspito pode causar entre os seres da Terra espasmos de alegria e satisfação. Analisemos.

Participei deste ritual durante todo o verão... fui chicoteada pela areia, multada, passei sede com a falta de troco de picoleteiros e vendedores dde água de coco, ganhei queimaduras de segundo grau, mesmo passando protetor solar, meu radinho sempre chiando, as ondas do rádio parecem se confundir com as do mar, formando uma música só, não consegui ler, muito vento, não consegui fazer palavras cruzadas, as canetas sempre acham a areia, e as sobrinhas foram mesmo feitas é para voar, é um novo meio de transporte para tatuis.

Sei, sei... Mas... tudo bem em ir à praia!

Gostei da democracia! Qualquer um é qualquer um na praia... do presidente ao gari!
 
Da liberdade! Primeiro do ventinho batendo na bunda semi-desnuda... Segundo por poder ficar quase nú sem que ninguém necessariamente note tua cinturinha um pouco  maisgordinha, ou se o seu biquini é da estação passada... Apesar de alguns insistirem no contrário, os fashions que me desculpem, mas praia não é lugar pra moda, nem tem espaço para isso... muita areia... vocês sabem.
 
Gostei da vista! Da paz que a imagem das ondas batendo nas pedras dá!
 
Da sensação de frio em meio ao calor infernal quando você finalmente tem coragem de ir à água.
 
Do cheiro do protetor solar... cheira a criança cuidada, do gosto do picolé de limão, da felicidade de não ser necessário realmente almoçar.
 
E no final, chegar em casa. Como o ambiente parece tão mais agradável e limpo e calmo! Amo minha casa depois da praia.

Bom, a selenita aqui tem muito frio e para ela o inverno já chegou!
E que venha o inverno, o frio, os casacos, praia pra mim será só uma saudade, para ser matada no verão que vem!

Informação Relevante: 

Dicionário selenítico para melhor adaptação de visitantes interplanetários: 

Areia: elemento que não é adequado para o contato com a pele humana, arranha e irrita...isto
estando inerte, aliado ao vento causa sensações de dor pelo impacto com a epiderme.

Água do mar: Imprópria para beber. Aliada ao sol, intensifica a absorção dos raios ultra violetas.

Sol: Calor! Muito calor!

sábado, 3 de abril de 2010

Antes que me confundam por aí

Caros terráqueos,


Planetinha anda mal e pouco procurado como ponto turístico! 

A questão do meio ambiente não será resolvida enquanto os bens e produtos consumidos quase que diariamente forem, em sua maioria, produzidos com matéria prima não renovável. E, apesar da autosustentabilidade estar em alta, ser cool e in, não é uma prática adotada no dia a dia pelos humanos. Os órgãos públicos continuam permitindo fábricas que se abastecem de carvão. Os Estados Unidos nunca vão aceitar o tratado de Kioto. O aquecimento global é problema das focas...

Se o assunto for cidadania esqueçam, os seres humanos não sabem o que é isso. Sabem o Haiti? Sabem a ajuda humanitáira? Haiti está para o caos assim como José Saramago está para a cegueira. Todos os recursos estão lá, todo o apoio mundial está lá, mas os haitianos resolveram que o poder é mais. Então formaram alianças nos campos de desabrigados para saquear a comida que deveria ser distribuída e para estuprar as mulheres. (Ensaio sobre a cegueira total!). Dizem que a culpa é dos bandidos que fugiram das prisões, mas, quando se trata de sobrevivência os terráqueos não diferem muito das espécies animais (tirando os golfinhos é claro! Eles foram enviados por nós selenitas para monitorar a terra há muitos milênios!)

Por estes e muitos outros motivos (que serão discutidos em ocasião oportuna) que a Terra não é um local disputado entre os habitantes de outros planetas, apesar de o cinema insistir em dizer o contrário e sempre arranjar um jeito de difamar os não terráqueos.

Porém, mesmo sabendo dessas condições e acompanhando a evolução da raça humana, estou convencida de que a espécie tem salvação e que, quando for possível, vamos (nós selenitas - não, eu não estou sozinha!) compartilhar com vocês todo o nosso conhecimento.


Em nota à imprensa a assessoria informa: Nós, não terráqueos, exigimos direito de resposta!

Observação Relevante (O.R.): Começará este mês na Warner Channel o seriado “V”, que relata a chegada de alienígenas ao planeta terra. Um remake da série homônima exibida nos anos 80.


Apesar da líder deles falar perfeitamente o português (sim, a atriz que interpreta a Ana é da terrinha que tem palmeiras!), e dela ter cabelos curtos e pretos (e por isso tudo, ser linda), ela não é minha parente. Aliás ela nunca esteve na Lua.

Gostaria de deixar isto bem claro para que depois, quando os aliens revelarem ser, na verdade, Iguanas, não venham me confundir por aí.

Os selenitas são da paz, os aliens feios e escamosos do seriado são maus, não se deixem levar pela semelhança entre o meu disfarce terreno e o disfarce terreno da Ana.
Em tempo:
Não confundam a Ana do seriado “V” com a Ana Carolina (http://conceitualmente.blogspot.com/) Fonte da foto: http://paulocunha.com/wp-content/uploads/2009/11/474v-thumb.jpg

quarta-feira, 31 de março de 2010

Aprendiz de selenita


Sabedoria é falar bastante sobre nada quando o que há para ser dito não interessa realmente ao interlocutor.

Sabedoria é ser discreto quando se conquista alguma coisa, e ser espalhafatoso quando se está perdendo.

Sabedoria é por em prática o que lhe ensinam e esconder na gaveta o que já sabe, que é para ninguém ter acesso ao seu conhecimento.

Apesar desta selenita que vos fala estar aprendendo que estas regras são básicas para os terráqueos, ainda não consegui entender e nem aplicar nenhuma delas.

Daí a minha dificuldade de adaptação na terra.

Acontece que no meio deste planeta estranho eis que encontro alguém que me entende. É claro que era uma criança (dizem que elas passam um tempo na lua antes de nascerem....). A menininha olhava atenta uma réplica em gesso da Máscara da Noite originalmente esculpida por Michelangelo.

Estive nesta exposição que passou por aqui pela cidade onde estou hospedada. Nas galerias, magníficas réplicas em gesso das obras que influenciaram Michelangelo e de suas próprias obras, além de desenhos que retratam os estudos feitos pelo artista (acredito eu, um conterrâneo lunar, disfarçado entre terráqueos).

Os corredores do espaço de arte estavam, logicamente, lotados. Mas David e a Vitória de Samotrácia apenas viam passar criaturas desatentas, pouco ou nada interessada. Terráqueos que sussurravam para seu próprio interior: “eu vim para dizer eu fui!”. Michelangelo ficaria horrorizado!

Mas, entre uns e outros estava uma menininha que, aos berros, brecada na frente da Máscara da Noite, chamava a mãe, que, muito entretida em mostrar para o filho mais velho que o anjo não tinha o pintinho, pouco se importava com o clamor da criança. A menininha disse por fim: “Olha mãe, acho que essa eu conseguia fazer, não ia sair assim tão bonita, mas, parecida eu conseguia fazer!”.

“Incrível, comparar-se à Michelangelo?! Ra Ra Ra!” Disseram os terráqueos. “Incrível, tanta confiança!” disse esta lunática aqui.

Lição aprendida: sabedoria é não ter nem medo de tentar e nem medo do ridículo de se expor ao erro, mesmo quando quase na certeza do fracasso.

Essa regra eu acho que consigo entender.

O.R.: dia 28 de abril (deste mesmo ano terráqueo) o chef André Boccato estará no auditória da Rede Gazeta (afiliada global) com a palestra "Sabores do Renascimento". Será que vão sacrificar um cordeiro em homenagem aos deuses no local? ok, isso é em outra época. Aqui a coisa é mais pra medieval, bichos inteiros sobre a mesa, com maça na boca e muito, muuuuuito molho! Isso vai ser bom para meus estudos antropológicos sobre a raça humana.

Em tempo: fonte da foto: www.artchive.com/artchive/g/greek/winged_victory.jpg


sexta-feira, 19 de março de 2010

Não existem mais concursos para jornalistas

Com o fim da cobrança do diploma para exercer o cargo de jornalista, instituições que estavam com concursos marcados (e que tinham vagas para a área) ficaram sem saber como agir na hora de cobrar os pré-requisitos para o cargo¹.

Em dezembro os Correios abriram concurso com vaga para o cargo de redator (1 vaga pra o Brasil todo!). O pré-requisito para o cargo era ser graduado em Letras! Justo, muito justo com os profissionais formados em letras, que também são servidores da língua e da comunicação. Mas então porque o edital não saiu solicitando como pré-requisito que o profissional fosse formado ou em letras ou em jornalismo! Porque não?

Bom, li hoje no site do Comunique-se que a Assembléia Legislativa do Rio grande do Sul aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 236/2009, que torna obrigatório o diploma para servidores daquele estado.
Mas então é preciso que o legislativo intervenha para dizer que o diploma é necessário?

Acho que estão confundindo obrigatoriedade com necessidade: Às vezes uma coisa não é obrigatória, mas o ser vivente faz pela necessidade. Exercício físico, por exemplo, ou comer feijão!

Enfim, uma coisa é ser obrigatório o diploma para se exercer um cargo, outra coisa é o que a empresa necessita do profissional e o que ela define como pré-requisito para preencher a vaga.

Mas não! As instituições passaram a agir como se, sem a obrigatoriedade do diploma, todos os cursos de jornalismo do Brasil tivessem sumido do mapa, evaporado, juntamente com todos os profissionais formados. Oras, pensaram as cabeças pensantes, se não precisa mais do curso de jornalismo para ser jornalista, então podemos pedir diploma de qualquer coisa!

Observação Relevante (O.R.):

Para se exercer qualquer profissão é necessário técnica, prática e dom.

Ou seja, ninguém que tenha nascido com o Mal de Parkinson vai querer ser cirurgião! Um ser que nunca conseguiu entender a matemática vai ficar batendo a cabeça a vida inteira se quiser ser astrônomo! O cidadão que não tem aptidão para discursos não pode querer ser político! Alguém que nunca leu um livro (e não gosta de ler) não pode querer ser escritor, e nem o quererá, porque nem ele mesmo vai ler seus próprios livros!

Portanto, cada um no seu quadrado vai escolhendo sua profissão, o que vai querer fazer para o resto da vida!

Partindo deste princípio, todos os coleguinhas que escolheram fazer jornalismo na faculdade já tinham uma certa aptidão para se comunicar, um certo bichinho comichão que faz a gente querer saber de tudo e virar rádio relógio, fonte de informação dos amigos!

Porque que a gente vai pra faculdade então? Para se aperfeiçoar, pra ficar muito melhor naquilo que a gente já sabe fazer! Para virar profissional e não sair falando besteira e dando cabeçada!

Ok, tem muito coleguinha que envergonha a gente... mas, em toda a profissão tem, lembram-se do Sergio Naya? Ele se formou em engenharia não foi?

¹ PENSAMENTO SELENÍTICO: Como assim??? Sempre achei que, para escolher um profissional para um cargo (seja ele qual for!) era a empresa quem definia os pré-requisitos: ter inglês fluente, boa aparência, conhecimento de informática, experiência na área e diploma!"


quinta-feira, 18 de março de 2010

Queridos amigos

Para lhes assegurar de que viemos em paz, e, afim de explicar o motivo de minha visita, venho aqui trazer-lhes minhas poucas palavras indignadas e me dispor a atuar como ombro amigo. Chorem suas mágoas e sofram comigo aqueles que já acham que este mundo não tem mais jeito (ou não!).

Observação Relevante (O.R.): perdoem o meu português arcaico, é que ainda não me atualizei na nova ortografia! Aliás, viva os franceses, que não se atualizam nunca!

Fonte foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Mare_Crisium