quarta-feira, 31 de março de 2010

Aprendiz de selenita


Sabedoria é falar bastante sobre nada quando o que há para ser dito não interessa realmente ao interlocutor.

Sabedoria é ser discreto quando se conquista alguma coisa, e ser espalhafatoso quando se está perdendo.

Sabedoria é por em prática o que lhe ensinam e esconder na gaveta o que já sabe, que é para ninguém ter acesso ao seu conhecimento.

Apesar desta selenita que vos fala estar aprendendo que estas regras são básicas para os terráqueos, ainda não consegui entender e nem aplicar nenhuma delas.

Daí a minha dificuldade de adaptação na terra.

Acontece que no meio deste planeta estranho eis que encontro alguém que me entende. É claro que era uma criança (dizem que elas passam um tempo na lua antes de nascerem....). A menininha olhava atenta uma réplica em gesso da Máscara da Noite originalmente esculpida por Michelangelo.

Estive nesta exposição que passou por aqui pela cidade onde estou hospedada. Nas galerias, magníficas réplicas em gesso das obras que influenciaram Michelangelo e de suas próprias obras, além de desenhos que retratam os estudos feitos pelo artista (acredito eu, um conterrâneo lunar, disfarçado entre terráqueos).

Os corredores do espaço de arte estavam, logicamente, lotados. Mas David e a Vitória de Samotrácia apenas viam passar criaturas desatentas, pouco ou nada interessada. Terráqueos que sussurravam para seu próprio interior: “eu vim para dizer eu fui!”. Michelangelo ficaria horrorizado!

Mas, entre uns e outros estava uma menininha que, aos berros, brecada na frente da Máscara da Noite, chamava a mãe, que, muito entretida em mostrar para o filho mais velho que o anjo não tinha o pintinho, pouco se importava com o clamor da criança. A menininha disse por fim: “Olha mãe, acho que essa eu conseguia fazer, não ia sair assim tão bonita, mas, parecida eu conseguia fazer!”.

“Incrível, comparar-se à Michelangelo?! Ra Ra Ra!” Disseram os terráqueos. “Incrível, tanta confiança!” disse esta lunática aqui.

Lição aprendida: sabedoria é não ter nem medo de tentar e nem medo do ridículo de se expor ao erro, mesmo quando quase na certeza do fracasso.

Essa regra eu acho que consigo entender.

O.R.: dia 28 de abril (deste mesmo ano terráqueo) o chef André Boccato estará no auditória da Rede Gazeta (afiliada global) com a palestra "Sabores do Renascimento". Será que vão sacrificar um cordeiro em homenagem aos deuses no local? ok, isso é em outra época. Aqui a coisa é mais pra medieval, bichos inteiros sobre a mesa, com maça na boca e muito, muuuuuito molho! Isso vai ser bom para meus estudos antropológicos sobre a raça humana.

Em tempo: fonte da foto: www.artchive.com/artchive/g/greek/winged_victory.jpg


sexta-feira, 19 de março de 2010

Não existem mais concursos para jornalistas

Com o fim da cobrança do diploma para exercer o cargo de jornalista, instituições que estavam com concursos marcados (e que tinham vagas para a área) ficaram sem saber como agir na hora de cobrar os pré-requisitos para o cargo¹.

Em dezembro os Correios abriram concurso com vaga para o cargo de redator (1 vaga pra o Brasil todo!). O pré-requisito para o cargo era ser graduado em Letras! Justo, muito justo com os profissionais formados em letras, que também são servidores da língua e da comunicação. Mas então porque o edital não saiu solicitando como pré-requisito que o profissional fosse formado ou em letras ou em jornalismo! Porque não?

Bom, li hoje no site do Comunique-se que a Assembléia Legislativa do Rio grande do Sul aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 236/2009, que torna obrigatório o diploma para servidores daquele estado.
Mas então é preciso que o legislativo intervenha para dizer que o diploma é necessário?

Acho que estão confundindo obrigatoriedade com necessidade: Às vezes uma coisa não é obrigatória, mas o ser vivente faz pela necessidade. Exercício físico, por exemplo, ou comer feijão!

Enfim, uma coisa é ser obrigatório o diploma para se exercer um cargo, outra coisa é o que a empresa necessita do profissional e o que ela define como pré-requisito para preencher a vaga.

Mas não! As instituições passaram a agir como se, sem a obrigatoriedade do diploma, todos os cursos de jornalismo do Brasil tivessem sumido do mapa, evaporado, juntamente com todos os profissionais formados. Oras, pensaram as cabeças pensantes, se não precisa mais do curso de jornalismo para ser jornalista, então podemos pedir diploma de qualquer coisa!

Observação Relevante (O.R.):

Para se exercer qualquer profissão é necessário técnica, prática e dom.

Ou seja, ninguém que tenha nascido com o Mal de Parkinson vai querer ser cirurgião! Um ser que nunca conseguiu entender a matemática vai ficar batendo a cabeça a vida inteira se quiser ser astrônomo! O cidadão que não tem aptidão para discursos não pode querer ser político! Alguém que nunca leu um livro (e não gosta de ler) não pode querer ser escritor, e nem o quererá, porque nem ele mesmo vai ler seus próprios livros!

Portanto, cada um no seu quadrado vai escolhendo sua profissão, o que vai querer fazer para o resto da vida!

Partindo deste princípio, todos os coleguinhas que escolheram fazer jornalismo na faculdade já tinham uma certa aptidão para se comunicar, um certo bichinho comichão que faz a gente querer saber de tudo e virar rádio relógio, fonte de informação dos amigos!

Porque que a gente vai pra faculdade então? Para se aperfeiçoar, pra ficar muito melhor naquilo que a gente já sabe fazer! Para virar profissional e não sair falando besteira e dando cabeçada!

Ok, tem muito coleguinha que envergonha a gente... mas, em toda a profissão tem, lembram-se do Sergio Naya? Ele se formou em engenharia não foi?

¹ PENSAMENTO SELENÍTICO: Como assim??? Sempre achei que, para escolher um profissional para um cargo (seja ele qual for!) era a empresa quem definia os pré-requisitos: ter inglês fluente, boa aparência, conhecimento de informática, experiência na área e diploma!"


quinta-feira, 18 de março de 2010

Queridos amigos

Para lhes assegurar de que viemos em paz, e, afim de explicar o motivo de minha visita, venho aqui trazer-lhes minhas poucas palavras indignadas e me dispor a atuar como ombro amigo. Chorem suas mágoas e sofram comigo aqueles que já acham que este mundo não tem mais jeito (ou não!).

Observação Relevante (O.R.): perdoem o meu português arcaico, é que ainda não me atualizei na nova ortografia! Aliás, viva os franceses, que não se atualizam nunca!

Fonte foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Mare_Crisium